A entrega do material é o momento com mais dinheiro em jogo e menos atenção na obra. Antes de assinar o canhoto, confira com a nota na mão: quantidade item a item, marca e modelo corretos (é comum chegar "similar" no lugar do pedido) e avarias visíveis — caixa molhada de cimento, telha lascada, louça trincada. Recuse na hora o que veio errado, anotando no canhoto; depois que o caminhão foi embora, a discussão vira sua palavra contra a da loja.
No porcelanato e na cerâmica, fotografe a lateral das caixas: lote, tonalidade e calibre devem ser iguais em todas. Caixas de tonalidades diferentes assentadas juntas criam um xadrez sutil que só aparece com o piso pronto — e aí não há troca que resolva. Se precisar comprar mais no futuro, é essa foto que permite pedir o mesmo lote.
Sobre seus direitos: o Código de Defesa do Consumidor dá 90 dias para reclamar de vício aparente em produto durável — mas só com a nota fiscal você prova a compra. As garantias de fabricante vão além: chuveiros e metais costumam ter 1 ano, aquecedores de 1 a 5 anos, e telhas e porcelanatos têm garantia contra defeito de fabricação que pode passar de 5 anos — todas condicionadas à NF e, muitas vezes, à instalação conforme o manual.
Por isso, comprar "sem nota para sair mais barato" é um mau negócio disfarçado: você abre mão da garantia, de qualquer troca e da prova em ação judicial, geralmente por 5% a 10% de desconto. Guarde as notas da obra inteira em uma pasta (física ou digital) — elas ainda servem para comprovar o custo de construção junto à Receita quando vender o imóvel, reduzindo o imposto sobre o ganho de capital.