O DR (dispositivo diferencial residual) compara a corrente que entra com a que volta pelo circuito. Se houver diferença acima de 30 mA — sinal de que corrente está fugindo por algum lugar, possivelmente pelo corpo de alguém — ele desarma em milissegundos, antes que o choque se torne fatal. A NBR 5410 o torna obrigatório em circuitos de banheiro, cozinha, área de serviço, áreas externas e chuveiro elétrico. Um IDR bipolar 40-63 A custa entre R$ 90 e R$ 180 em 2026 — provavelmente o dinheiro mais bem gasto de toda a elétrica da casa.
Já o DPS (dispositivo de proteção contra surtos) protege os equipamentos: quando um raio cai na rede ou perto dela, ele desvia o pico de tensão para o aterramento antes que chegue à TV, geladeira e roteador. Para residência, usa-se DPS classe II, de 20 a 45 kA, instalado na entrada do quadro — um por fase e um no neutro. Cada unidade custa R$ 50 a R$ 120 e deve ser trocada quando o visor indicador muda de cor após um surto forte.
Três avisos práticos: o DR não funciona direito sem aterramento decente e não substitui o disjuntor (um protege contra fuga/choque, o outro contra sobrecarga/curto — a casa precisa dos dois). Se o DR desarma toda hora, não o retire do quadro: isso indica fuga real, geralmente em resistência de chuveiro velha ou emenda mal isolada em área úmida — chame um eletricista para achar a fuga. E na reforma do quadro, aproveite para pedir os dois de uma vez: a mão de obra é a mesma visita.